15 de jan de 2010

Queijo de cabra diferenciados, aproveitam frutas e ervas da caatinga

Estimular a renda de produtores rurais nordestinos e, ao mesmo tempo, desenvolver novos queijo de leite de cabra com uso de frutas e ervas da caatinga. Estes são os objetivos do projeto "Novas tecnologias aplicadas ao leite de cabra para o desenvolvimento de queijos utilizando produtos oferecidos no Bioma Brasileiro", que tem sido desenvolvido pela Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral, CE), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, desde abril de 2009, sob a liderança da pesquisadora Selene Daiha Benevides, engenheira de alimentos e doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos.

De acordo com Selene, a ideia de incrementar o queijo de leite de cabra com vegetais nativos partiu do professor José Matos, da Universidade Federal do Ceará (UFC), já falecido. A pesquisadora adotou, no projeto, o óleo do pequi e a entrecasca do cumaru para a produção de queijos de coalho caprinos. "A Embrapa Caprinos e Ovinos já desenvolvia trabalhos com uso do orégano e pimenta no leite de cabra, mas esta iniciativa tem o diferencial de utilizar espécies do bioma caatinga", reforça ela. As frutas e ervas são adicionadas no momento do processamento do leite de cabra em queijos.

A expectativa é contribuir para dar novas oportunidades de geração de renda aos produtores nordestinos, com o estímulo à exploração das ervas e frutas utilizadas para os queijos. "No Ceará, a atividade ainda carece de melhor organização, da existência de associações. Na safra do pequi, por exemplo, a colheita é feita muitas vezes a partir do chão. O que se espera é que o uso das ervas e frutas nos queijos transforme também essa realidade", observa Selene.

A pesquisadora vê vantagens em termos de incremento nutricional, por conta da presença de antioxidantes no pequi e do potencial fitoterápico do cumaru. Em 2010, a perspectiva é de intensificar os experimentos com os queijos, para observar as características biológica, físico-químicas, proteômicas, além de promover testes sobre as qualidades sensoriais, em supermercados de Fortaleza e Sobral, para avaliar a aceitação dos produtos no mercado.

Os queijos com óleo de pequi e cumaru deverão também integrar as tecnologias disponíveis para incubação, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Novas Empresas de Base Tecnológica Agropecuária e Transferência de Tecnologia (Proeta). "Eles ficarão disponíveis em uma linha de produtos específica, de queijos com produtos do bioma caatinga, para que empresas interessadas possam lançá-los no mercado", diz Selene.
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