14 de set de 2010

Uma história ilustrada do doce



Nos quatro cantos do mundo, a gastronomia influenciou diversas culturas. O sexto livro da coleção Prismas, Mil-folhas é um passeio geográfico, artístico e literário pela história do doce. A jornalista Lucrecia Zappi, com experiência no suplemento infantil do jornal Folha de S. Paulo, faz aqui um recorte histórico do doce, valendo-se de uma vasta bibliografia. A edição tem patrocínio da doceria Dulca, uma das mais tradicionais do Brasil, que em 2011 completa 60 anos.

Com as navegações – motivadas pela procura do açúcar, uma das cobiçadas especiarias – desenvolveu-se uma verdadeira política
econômica também no continente americano, pela exploração das ilhas açucareiras do Caribe e da costa brasileira. Mas o intercâmbio não era só comercial. E, neste vaivém do mar, o pão-de-ló produzido no Brasil, mas de origem portuguesa, foi parar no Japão. O livro também traça o caminho do xicltl consumido pelos maias e astecas ao chiclete da Adam’s, do al-fahua dos árabes ao tradicional alfajor argentino; lembra a invasão dos turcos no império otomano, sua derrota e a criação do croissant para comemorar a vitória; explica como os doces foram parar nos tabuleiros de rua no Brasil; passeia pela Idade Média, com suas docerias de conventos e os mata-frades e barrigas-de-freira; narra o famoso banquete no Castelo de Chantilly e a criação do famoso creme; entre outras histórias que contêm as “mil folhas” do livro.

O objetivo da coleção Prismas é trazer ao pequeno leitor temas como moda, balé, tatuagem e yoga, com uma análise sociológica e através das artes. Além de percorrer os séculos de história desses temas, os livros atualizam cada um deles, permitindo um novo significado no presente.

Assim, a iconografia de Mil-folhas foi inteiramente baseada em cartazes de época, além de imagens informativas que demonstram como a apreciação e feitura dos doces são elementos do comportamento cultural. Mais que apenas ilustrar o texto, o projeto gráfico do livro é uma narrativa à parte, que complementa e enriquece o texto escrito.

A chef Mari Hirata, que nasceu em São Paulo mas, em 2001 voltou ao Japão a convite da confeitaria oficial da Família Imperial japonesa para a abrir do Toraya Café, fala sobre o livro no texto de quarta capa: “Além dos fatos históricos, Lucrecia recheia o livro com as delícias do açúcar e com as cores e sabores que despertaram a criatividade de grandes chefes também inventores. Como Vatel que, numa noite, criou o chantilly”.

Um livro delicioso de ser lido.

  • Mil Folhas de Lucrecia Zappi

  • Com pesquisa visual de Maria Carolina Sampaio

  • Quarta capa: Mari Hirata

  • Capa: flexível

  • Miolo: 4 cores

  • Formato: 26,6 x 24 cm

  • Páginas: 96

  • Ilustrações: 147

  • Tiragem: 5000

  • Preço: R$ 49,00

  • ISBN: 978-85-7503-689-1


Lucrecia Zappi nasceu em Buenos Aires, em 1972. É jornalista, tradutora e escritora. Mora em Nova York (EUA), onde fez mestrado em criação literária pela Universidade de Nova York, e teve alguns de seus contos publicados na revista de literatura Gigantic Sequins. Escreve regularmente para o jornal Folha de S. Paulo e colabora para revistas revista especializadas, como a norte-americana Artforum. Estudou artes plásticas na Academia Gerrit Rietveld, em Amsterdam (Holanda).
Organizou a antologia das obras da artista suíça Pipilotti Rist para a exposição O Comunismo da Forma, em 2007, e co-ilustrou com Marco Giannotti a edição brasileira do clássico italiano Pai patrão de Gavino Ledda (Berlendis e Vertecchia, 2004). Para a Cosac Naify, traduziu do holandês Monstro, não me coma!, de Carl Norac e Carll Cneut. Mil-folhas é seu primeiro projeto de não-ficção para jovens.
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