4 de set de 2013

Festa sem lactose ou corantes e com muito sabor




Ter uma afilhada, combinado com o meu relógio biológico, me fez pensar mais em meus futuros filhos. Sim, eu ainda sou jovem, estou na casa dos 26+, porém, como boa taurina um tantinho assim controladora, já fico imaginando, em vão, como eles serão e como eu serei com eles. Porém, uma coisa é certa e o mapeamento de DNA que fiz no início do ano não me deixa negar: eles serão 100% intolerantes à lactose. Sim, é possível saber isso cruzando os dados dos pais. Eu e meu marido também somos intolerantes, porém, criamos (só Deus sabe a que custo) resistência. Segundo dados do Ministério da Saúde, 40% da população brasileira é, de alguma forma, intolerante à lactose. Porém, continuamos consumindo em média 165kg de leite por ano, em forma de derivados, como queijos, bolachas e etc, ou a bebida pura mesmo.


O leite não é um vilão, muito pelo contrário, é supernutritivo e nos acompanha desde o nascimento, porém, ele pode excluir pessoas de momentos de confraternização e de refeições em grupo, limitando a participação dos intolerantes em festinhas infantis, por exemplo. Eu sei bem do que estou falando, apesar de ser "resistente" à lactose, sou muito alérgica à corantes artificiais. A alergia "deu as caras" quando eu tinha 14 anos e comia um saquinho de Confeti (chocolate parecido com M&Ms) e, desde então, limitou bastante o meu acesso à mesa de gostosuras das coloridas festas infantis. Tudo bem, eu era uma adolescente que queria controlar o peso e que não chupava mais balas e chicletes açucarados. Mas e se fosse uma criança? E se NUNCA pudesse comer um pedaço de bolo, docinhos, salgadinhos com queijo ou outras delícias por conta do leite, como eu me sentiria?

Pensando nisso e também na minha comadre, a Sam, que é mãe da Manu e idealizadora do Conversas de Cozinha, decidi fazer uma festinha 100% sem lactose - além de ser 100% sem corantes artificiais - no quarto "mesversário" da minha afilhada. Sim, eu adoro organizar confraternizações :P O desafio era grande, visto que receria 2 bebês, 2 crianças e 1 pré-adolescente, além de 4 adultos, e precisava garantir que o cardápio fosse atraente para todos. A primeira coisa que fiz foi conversar com a minha tia Marli, vegana de carterinha, que tem um talento incrível para a cozinha e vive criando pratos lindos e gostosos, sem leite/carne/ovos. Ela me deu algumas dicas preciosas, já que a ideia, a princípio, era eu preparar boa parte dos pratos.

Não deu. Eu só teria o sábado de manhã para ir pra cozinha, porque acabei recebendo uma proposta irrecu$ável de freela bem na semana da festinha. Mas não desisti de realizá-la e decidi pesquisar produtos prontos que pudessem ser combinados em petiscos. A maioria dos mercados/produtos ainda carece de uma indicação clara sobre a ausência de lactose que, quase sempre, vem acompanhada de um "sem gluten". Isso eu descobri lendo o verso, um a um, das embalagens de "produtos mais promissores", aqueles de marcas com ingredientes orgânicos, mais naturais, mais focados na saúde e menos nas calorias, sabe? E, felizmente, já temos boas opções nas grandes redes, como os das marcas GraniAmici, Native e Mãe Terra.


Compras feitas, mesmo sem um cardápio pré-definido, no sábado comecei a montar os pratinhos e percebi que, além de ser uma festinha 100% sem lactose e corantes, seria mais ou menos 70% sem gluten e 50% sem açúcar, com opções para carnívoros, vegetarianos, veganos, diabéticos… Uma festa com cardápio inclusivo! E colorido, sem ser artificial.

E a mesa ficou assim:



Esse foi o nosso menu:

Salgados
- Sanduíches de pão sírio (do Jacob, aquele da 25 de março <3) com pasta de grão de bico, peito de peru e alface americana; com patê de atum feito em casa mesmo (maionese + atum + suco de limão) e alface crespa; com pasta de alcachofra, polvo defumado (um achado de uma marca brasileira chamada Marithimu's) e rúcula.
- Esfihas integrais com escarola e kibe com hortelã do Arábia
- Salsichinhas + linguicinhas grelhadas
- Biscoitinho salgado sem gluten e palitinhos de cenoura e pepino para comer com sardela, humus ou pasta de alcachofra
- Espetinho de tomate cereja com rodelas de palmito açaí

Doces
- Morango com mel de laranjeira (parece bobo, mas a combinação é deliciosa)
- Bolinho de coco com cobertura de geleia de cereja ou ameixa sem açúcar, das marcas St Dalfour e Fior di Fruta, com coco desidratado
- Quindins
- Bolo de laranja com calda de açúcar
- Sagu de morango com amora natural e de abacaxi, feitos com o pózinho para gelatina da Dr. Oetker, que é o único sem corantes artificiais no Brasil
- Sanduíche de cookie de chocolate da Native, recheado com manteiga de amendoim e geleia de damasco sem açúcar St Dalfour (mas com a nacional Queensberry sem açucar também fica bom!)
- Biscoitinhos de maizena com goiabada
- Carambolas e bananas cortadinhas
- Torrones
- Balas de alga
- Doces de arroz integral com açúcar orgânica
- Chocolatinhos AMMA - somente o com 30% de cacau tem adição de leite, os demais são sem lactose :)

Todo mundo comeu, a Marina, bebê que fará 1 aninho na próxima semana, ficou nas frutinhas, a Clara, que tem 7 anos, adorou os chocolatinhos AMMA e comeu o bolinho de Coco com gosto, o Giorgio, que tem 10, aprovou o sagu de morango e os espetinhos de tomate, o Enzo, com 13, gostou do morango com mel e dos sanduíches de cookies… Os adultos também comeram bem, o que me fez considerar o cardápio bom para todas as faixas etárias.



Dá para melhorar? Sim, principalmente se você tiver mais tempo para pesquisar produtos e fornecedores. E também se gostar de cozinhar e utilizar ingredientes bacanas, como leite de arroz ou de avelã, por exemplo. Ou se me contratar, já que, apesar de ser jornalista, aceito encomendas de "petit festinhas" sem restrições e com muito sabor. Decidi me dedicar a isso também, para estar afiada quando um bebê brilhar por aqui e eu quiser comemorar cada novo passinho. Afinal, quer coisa melhor do que poder come(r)morar com quem te faz bem? :)


Talita Ribeiro - Jornalista, madrinha da Manu, mulher do Marco, futura balzaca, escreve sobre turismo no Viagem e Voo e sobre corrida de rua e vida saudável no Jornalistas que Correm.
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