21 de fev de 2014

O que fazer com a "embalagem" da água de coco? #vivapositivamente





Há alguns anos li sobre um projeto que visava reaproveitar as cascas de coco consumidas no Parque do Ibirapuera, em Sampa. Levante a mão quem já foi lá e, numa tarde quente, não se rendeu ao coco gelado. Poucos podem dizer que não o fizeram, não é mesmo?

Mas raramente pensamos no que acontece depois com as cascas.

Tente imaginar este volume:

"Só de coco verde (de onde é extraída a água), chegaram no Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) 1,7 milhões de unidades em dezembro de 2013. Cada uma delas gera ao menos 1,75 kg de resíduo."

O que se faz com tudo isso?

Por enquanto, muito pouco.



Os vendedores de coco do Ibirapuera dizem que as cascas de coco coletadas vão para aterros. A Secretaria do Verde só informou que "os vendedores (do Ibirapuera) coletam e descartam a fruta em caçambas específicas", desde a implementação, em 2011, de uma medida que limita a venda da água de coco a copos e garrafas descartáveis, por motivos de higiene. O pior mesmo com este volume imenso de consumo de coco gelado na cidade, as secretarias paulistanas do Verde e de Serviços, bem como a Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana) não contam com iniciativas de coleta e reciclagem do coco.

O tal projeto sobre o qual ouvi falar era ideia de André Bussab, da Biococo, que processa e recicla cascas de coco produzidas no Ceará.  O projeto começou em 2007, quando a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente implementou pontos de coleta para os milhares de cocos consumidos semanalmente no parque, com o objetivo de reaproveitá-los para produzir substratos agrícolas. Mas, infelizmente, o projeto se tornou excessivamente caro para atrair o interesse de empresas por conta da burocracia com horários de coleta, o frete caro, etc.

A visão não é exclusiva dele. Li um relato de Fátine Chamon, da Pós-Coco, que chegou a ter uma fábrica para trabalhar estes resíduos mas a desativou em 2010, também, por conta da logística.

Se uma cidade grande como São Paulo não consegue se organizar, que dirá um balneário de veraneio! A experiência paulistana exemplifica as dificuldades em reciclar o coco em ambientes urbanos ou litorâneos.

Sim, o resíduo do coco vira um grande problema (quando chega às) cidades e às praias. Há pesquisadores, como Fernando Abreu, da Empraba em Fortaleza, que investigam usos para o coco reciclado, mas o trabalho ainda não conta com visibilidade e por isso mesmo, apoio do setor público ou privado.

E o que se poderia fazer?

Muitas indústrias de coco reciclam internamente os resíduos de sua produção, reaproveitando grande parte do material para adubar seu próprio plantio. A casca começa a servir para compostagem após cerca de seis meses e, segundo alguns especialistas, pode levar até oito anos para se decompor totalmente. Além de causar cheiro forte, o resíduo torna-se foco de mosquito. Mas como o consumo é disperso e o material é pesado, sua coleta muitas vezes vira uma dor de cabeça para prefeituras.



Gostei de saber que algumas opções aparecem e sinto que devemos divulga-las. Garis já utilizam carrinhos ecológicos produzidos de fibra de coco - já pensou que legal aproveitar este material excedente e de grande resistência?

Como este assunto caminha por aí:

No Rio de Janeiro, a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) criou um grupo de trabalho entre as secretarias municipais para elaborar a política e operacionalização da destinação de cascas de coco.



Em Fortaleza, a prefeitura promete a retomada de um projeto de coleta e reciclagem que começou no final dos anos 1990, mas está parado há cerca de três anos. Lá. novamente, a questão e a logística do processo. Nas praias, o consumo é geralmente próximo a barracas, que se responsabilizam por jogar no lixo em um contêiner só de cocos. O problema é que a reciclagem tem de ser viável economicamente, então, se "foge" do local onde tem sentido comercial, há pouco interesse em observar o descarte e a reciclagem.

A ideia dos cearenses é ótima: produzir briquettes - blocos de material inflamável que podem ser usados por indústrias na geração de energia - a partir da reciclagem de 700 toneladas de coco por mês e da poda de plantas.

Em São Vicente, no litoral de São Paulo, desde 2011 há um projeto de reciclagem em parceria com uma cooperativa de catadores, que fica com a renda obtida com a venda do material reciclado. O coco recebido é processado e transformado em fibra e substrato. Todos os dias um caminhão faz a coleta de coco verde em alguns pontos da cidade e os cooperados pretendem ampliar essa atividade para a confecção de vasos e plataformas de paisagismo.



Gostou?

Tem muito mais sobre este material interessantíssimo, que também é usado há muito tempo na produção de capachos e de vasos coquim (substituindo o antigo "xaxim", lembram-se dele?) e tem sido considerado para mantas de fibras para compor o estofado de veículos.

Você conhece algum outro projeto legal que aproveite a casca do coco? Conte para a gente!
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