2 de dez de 2014

Expo Catadores 2014 reuniu nesta semana especialistas em gestão de resíduos sólidos



De tudo o que é descartado diariamente, 80% poderia ser reciclado ou reutilizado das mais diversas formas. Reciclamos menos de 10% do lixo urbano, contra 40% que é reciclado na Europa e nos Estados Unidos.

A Expo Catadores 2014 reuniu nesta semana especialistas em gestão de resíduos sólidos e cerca de 4 mil catadores. Fiquei interessada e teria ido ao evento, especialmente para ver o que acontecia na Feira de Negócios que prometia reunir uma gama de soluções, tecnologias e serviços disponíveis para reciclagem e tratamento de resíduos sólidos, além de empresas que pretendem abraçar a causa.

Algumas atividades mais leves também permitiam ao público uma experiência prática:

  • a oficina de corte manual de garrafas, utilizando cortador elétrico, um processo simples e eficiente de cortes diversos de garrafas de vidro, de diferentes cores e formatos, finalizando com a pintura nas peças criadas.
  •  construção de bonecos feitos com materiais recicláveis, embalagens, visando o resgate da tradição de construção artesanal de bonecos e brinquedos.

O evento também teve marcos. O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e os Trabalhadores da fábrica Flaskô um Acordo de Cooperação Técnica que estabelece parcerias para ações de fortalecimento de ambos os movimentos.



O Acordo prevê a troca de conhecimentos e experiências para execução e desenvolvimento de projetos de verticalização da cadeia produtiva da reciclagem, especialmente no setor de plásticos, além do intercâmbio de técnicos e membros de ambas as instituições, e do desenvolvimento de cursos, programas, projetos e eventos de promoção da reciclagem popular.

Uma Comissão Técnica formada por membros do MNCR e da Flaskô se reunirá ainda este mês para definir o cronograma de atividades e dar início às ações previstas na parceria. A fábrica de tambores plásticos está localizada no município de Sumaré (SP) e é a única do Brasil controlada pelos seus próprios operários.


Conhecemos o MNCR da parceria com a Coca-Cola na Copa do Mundo. Cerca de 840 catadores organizados em cooperativas e Redes de cooperativas fizeram parte do time de coleta seletiva dentro dos 12 Estádios palcos do mundial, além de eventos oficiais da Copa do Mundo. A ação é fruto de parceria do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Coca-cola Brasil e Fifa que contrataram as Redes de cooperativas nas cidades sedes e paga os catadores pelo serviço de destinação correta dos resíduos gerados nos eventos, além de capacitação e uniformes.

O que me interessou mesmo foram as plenárias. No segundo dia do evento, o Workshop “Fundo Paulistano de Reciclagem e o novo Sistema de Coleta Seletiva da cidade de São Paulo” contou com a participação de diversos membros do Conselho responsável pela gestão do Fundo.

Você conhece o modelo?

Este sistema é um exemplo de política participativa colocada em prática pela prefeitura de São Paulo nos últimos dois anos. Foi criado a partir do Plano Integrado de Resíduos Sólidos do Município, que propõe metas ousadas para a cadeia produtiva da reciclagem na metrópole paulista, com a inclusão social e econômica dos catadores nos processos. Em longo prazo, São Paulo quer ser referência nacional no modelo de inclusão.

Hoje, a cidade conta com duas centrais mecanizadas, uma na Ponte Pequena e uma em Santo Amaro, com capacidade instalada de 250 toneladas-dia de triagem e separação de 13 tipos de resíduos. 

“Com a ampliação da capacidade de triagem, ampliou-se também a coleta seletiva. De 95 distritos que forma São Paulo, 40 deverão ter coleta universalizada até o final deste ano”, explicou Silvano Silvério, atual presidente do Conselho Gestor do Fundo. “Estamos no caminho de outros países, como EUA e Japão”.

A relação “mecanização e inclusão de catadores” foi uma das principais questões colocadas pelo público. O novo sistema integra e complementa processos mecanizados e a manutenção do trabalho dos catadores e cooperativas. “Todas as dúvidas foram pertinentes, pois o sistema é novo e ainda há muita desinformação”, disse Tadeu Dias Pais, gerente de Planejamento da Amlurb (Autoridade Municipal de Limpeza Urbana) e um dos membros do Conselho. Atualmente, 70 cooperados trabalham diretamente em cada uma das centrais, com remuneração de R$1.500,00 líquidos, contratados pela Prefeitura.

O Fundo funciona da seguinte forma: as centrais mecanizadas e cooperativas cadastradas promovem a comercialização dos resíduos, cujos recursos vão para o Fundo, que é gerido por um Conselho e operado pelo chamado “Agente Operador”, que atua em dois grandes blocos, o operacional e o de gestão. “É importante salientar que o Fundo não é público, e sim caracterizado como privado. É a partir deste Fundo que é possível apoiar novas cooperativas, incluindo os catadores que estão fora do sistema”, explicou Silvério.

Os recursos nele reunidos são destinados à remuneração das cooperativas, investimento em infraestrutura, qualificação dos cooperados, inclusão de novas cooperativas, apoio jurídico e contábil e venda de certificado de logística reversa. O Conselho que administra o Fundo é formado por 3 catadores, 3 membros da sociedade civil (universidade, indústria e entidade do terceiro setor) e 3 membros do poder público.

Ricardo Camargo, do Observatório do Terceiro Setor, é um dos representantes da categoria de Agente Operador do sistema e destacou que a missão do fundo é “apoiar, fortalecer e promover a condição econômica e social dos catadores e catadoras, por meio de um sistema de coletas seletivas e de logística reversa que garante cumprimento da PNRS e as melhorias das condições ambientais na cidade de São Paulo”.

Vamos acompanhar para ver como evolui ;)
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