15 de jun de 2015

Aulas de gastronomia para crianças do minimaternal

Nossa caçula tem no currículo do minimaternal aulas semanais de gastronomia com o professor de biologia dos meninos - novos tempos, um homem, cientista, dando aulas para bebês, pois ela começou com 1 ano e 9 meses! 

Ela ama, é o dia que volta da escola mais feliz - ainda mais animada do que quando tem música ou educação física.

Recomendo muito e também penso como seria se os filhos mais velhos (hoje com 12 e 15 anos) tivessem feito!

E pelo que li num jornal, esse movimento está na moda! 

 

Vejam que simpática a matéria de Roberta Salomone:

Michele entra na sala e logo avisa que é dia de pizza. Melissa abre um sorriso, fica na ponta dos pés e consegue colocar o dedo dentro de um dos pratos trazidos pela professora. Enquanto Bernardo permanece quietinho em sua cadeira, Olívia não consegue controlar a curiosidade: levanta, pega um pedaço da fruta e leva até a boca.

— Mas é pizza de melancia? — pergunta, pausadamente, a menina de dois anos.

Michele solta um sonoro “sim” e explica que a partir daquele momento cada um deve fazer o seu prato e escolher os “recheios” preferidos. Sebastian vai em direção ao potinho com pedacinhos de banana, mas desiste e resolve atacar as uvas. Os amiguinhos ao lado, todos da mesma idade, parecem se divertir decorando a “pizza”. Um deles tenta amassar um pedaço de pera com as mãos. Dá uma lambida e grita: “Nossa, como é docinho!”.

A divertida experiência da turma de maternal aconteceu numa sala batizada de Espaço Gourmet, inaugurada no fim do ano passado na escola Pedra da Gávea, no Itanhangá. É ali que alunos de até 6 anos se reúnem para encontros gastronômicos. O Ateliê Culinário, como os encontros são chamados, faz parte da grade curricular e tem programas distintos, dependendo da idade. Num deles, batizado de Sabores da Infância, mães, pais e filhos cozinham juntos uma receita de família.

— O lugar foi criado a partir do momento que vimos como o interesse pelo assunto estava crescendo aqui dentro. O contato com os alimentos começa com 1 ano. Com 2, eles já aprendem a cortar e separar os ingredientes. Em muitos momentos os pais são convidados para participar das aulas e, depois, estimulados a repetir a receita em casa — conta Ana Beatriz Fernandes, diretora do colégio, que mantém uma pequena horta, onde os alunos plantam, acompanham o crescimento e colhem temperos, como alecrim, manjericão e cheiro verde.

Muito além da preparação do biscoitinho cheio de manteiga e açúcar (a mais batida nos colégios do Rio), as crianças conhecem opções bem mais saudáveis: fazem barrinha de aveia, cookie de cacau e bolo integral de maçã e costumam aprovar o picolé com frutas e água de coco.

— Experiências sensoriais com verduras, legumes e outros alimentos são extremamente importantes durante a infância. Se acontecem de forma leve e lúdica, ajudam no ensino da matemática, com soma e medidas, e ainda dão responsabilidades, quando as crianças limpam e tiram a mesa, por exemplo — explica a pedagoga Daniela Mello.

Na TV, programas instigam os pequenos. Em “Tem criança na cozinha”, exibido pelo canal Gloob, os amigos Edu, Luigi e Luisa se aventuram entre panelas e colheres de pau. Já a produção americana “MasterChef Junior” bota meninos e meninas entre 8 e 13 anos numa competição acirradíssima, de desafios individuais e em grupo, em que eles apresentam pratos elaborados e outros nem tanto. E ainda tem Bela Gil, que vez ou outra conta com o auxílio da filha Flor, de 6 anos, nas gravações de “Bela cozinha”.

Fora do país, são inúmeras as iniciativas gastronômicas em escolas. Desde o ano passado, aulas de culinária são obrigatórias no currículo escolar da Inglaterra. Nos Estados Unidos, estudos mostram que quem participa de atividades do tipo está mais aberto para provar novos alimentos e, principalmente, para fazer escolhas mais saudáveis. Especialistas no assunto asseguram que o incentivo a habilidades culinárias básicas entre crianças pode ajudar, sim, a resolver problemas graves, como a obesidade infantil.

Por aqui, o colégio Mopi, que tem unidades na Tijuca e na Barra, oferece aulas no seu Espaço Gastronômico. O ensino faz parte da grade curricular da Educação Infantil ao primeiro ano do Ensino Fundamental. Os alunos colocam a mão na massa, seguindo cada etapa com a supervisão de um ou mais professores. Antes da Páscoa, parte deles esteve à frente de uma grande produção de ovos de Páscoa, que foram doados para uma ONG.

Além do empurrãozinho em Português e Matemática, as aulas de culinária têm papel importante em outras matérias. Em Ciências, quando se aprende, por exemplo, sobre as transformações dos estados físicos da matéria. Em História e Geografia, quando se estuda sobre determinados ingredientes e as diferentes formas como são usados em outros países.

De acordo com a nutricionista americana Julia Negrin, autora do livro “How to teach cooking to kids” (em tradução livre “Como ensinar as crianças a cozinhar’’, disponível na internet apenas em inglês), os experimentos trazem maior responsabilidade e incentivam a confiança e o trabalho em equipe.

— Minha filha só tem 3 anos, mas fico impressionada quando vejo que ela adora provar tudo, sabe o nome de frutas e legumes. Em casa, se estou cozinhando, ela sempre quer participar de alguma forma — diz a professora Vanessa Machado, mãe de Juliana, que estuda no Colégio Bahiense.

E se a presença das crianças na cozinha é mais do que bem-vinda, não custa nada lembrar que é preciso redobrar a atenção quando os pequenos estão entre pratos, panelas e objetos pontiagudos. Segurança é item fundamental (veja outras dicas para cozinhar com as crianças no box desta página).

E assim, cercados de cuidados, os pequenos estudantes do Dínamis seguem em aventura culinária por todo o ano escolar. Em abril, depois de conhecer “Festa de aniversário”, livro de Telma Guimarães Castro Andrade, as turmas do Jardim II saíram da sala de aula, colocaram touquinhas na cabeça e partiram para a cozinha.

— Para o adulto, pode até parecer estranho, mas são experiências que geram curiosidade entre eles. A ideia é que seja uma orientação nutricional, claro, mas a meta é que seja mais do que isso: estimule a leitura e os sentidos também — comenta a nutricionista do Dínamis, Carla Iespa.

Na mesa baixa, estrategicamente posicionada no refeitório, os alunos estranham quando é anunciado que vão fazer um bolo de agrião — batizado rapidamente de “bolo do Hulk”. Deixam cair o óleo no chão e acham graça quando são requisitados para quebrar os ovos.

— Ei, peraí, mas e o pintinho? — pergunta o compenetrado Guilherme.




Postar um comentário

Quem cozinha e conversa?

O blog surgiu da vontade de falar de comida, bebida e alimentação saudável, coisas que estão sempre em pauta na nossa cozinha, nos reuniu desde 2009 numa conversa online, como fazia com os papos nas cozinhas de amigos e os eventos deliciosos de gastronomia dos quais este blog tem participado. Tudo isso está aqui, temperado pela vontade de trocar ideias e aprender. Se você também gosta de um papo de cozinha, puxe uma cadeira e junte-se a nós.

E se quiser conversar com a gente: cozinhaconversa@gmail.com

Google+ Badge

Siga-nos no Twitter @conversacozinha