25 de ago de 2015

Irrigação para pequena agricultura possibilita produção no Semiárido



Sistemas de irrigação montados com material de baixo custo ajudam pequenos produtores do Semiárido a produzir o ano todo e estão se popularizando em ações realizadas desde 2009 pela Embrapa em 12 assentamentos vêm mudando a realidade de famílias do sertão da Bahia.

Cerca de 150 famílias participam diretamente das atividades e são beneficiadas aproximadamente 830 famílias de assentamentos.  Em 2014, esse conjunto de iniciativas foi contemplado com o Prêmio Mandacaru II, promovido pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (Iabs), que tem como objetivo incentivar ações inovadoras para ampliar a prática da convivência sustentável com o Semiárido brasileiro.

A agricultura irrigada é a principal opção para o desenvolvimento dos assentamentos nessa região, em especial para as culturas de mandioca e banana. Mas os custos de instalação de sistemas de irrigação para o produtor descapitalizado são relevantes, por isso projetos vêm sendo implementados com o intuito de selecionar e adaptar tecnologias de irrigação de baixo custo para essa faixa de agricultor familiar que vive em localidades com índices de chuva inferiores a 450 mm por ano.



Reportagem de Alessandra Vale, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, traz detalhes desta experiência:

Como funciona?
  • Os produtores são colocados nos assentamentos ganham casa e ficam sem ter o que fazer fora da época das chuvas, que são escassas. Com os sistemas de irrigação, dá para plantar e colher durante todo o ano. E a proposta é instalar sistemas da forma mais barata possível.
  • Diversos itens compõem um sistema de irrigação, entre os quais, bomba, tubulações, conexões e emissores. No geral, não são baratos, mas existem algumas adaptações que podem ser feitas, principalmente nos emissores, para tornar o sistema acessível ao agricultor sem recursos. 
  • A cartilha "Sistemas e manejo de irrigação para agricultura familiar", lançada pela Embrapa com recursos do Prêmio Mandacaru II, informa que, quando tomados os devidos cuidados no uso da água, os sistemas de irrigação montados com material de baixo custo apresentam os mesmos efeitos dos convencionais sobre a produção de culturas de ciclo curto e perenes em áreas de agricultura familiar.

Os sistemas de irrigação:
  • No mínimo três tipos de sistemas de irrigação foram instalados em cada assentamento, localizados nos municípios baianos de Barra e Marcionílio Souza, e avaliações foram feitas, em conjunto com os agricultores, sobre o funcionamento de cada um deles. 
  • Inicialmente o trabalho focou nas tecnologias artesanais, utilizando emissores de água de microaspersão e gotejamento, sistemas de irrigação localizada em que a água é aplicada em pequenas vazões diretamente nas raízes das plantas. 
  • O primeiro utiliza microaspersores que jogam água em gotas como chuva, em uma pequena área em forma de círculo. 
  • O segundo, por gotejamento, é o que mais economiza água, utilizando pedaços de mangueira com pequenos furos e gotejador na ponta.
  • A equipe do projeto procurou no mercado emissores baratos com orifícios maiores para proporcionar maior vazão. Os novos emissores pulverizam por cima e têm vazão maior. Molham bastante em pouco tempo, só é preciso que o agricultor irrigue em menor tempo.

"Esses sistemas deram certo em um primeiro momento. Mas esses artesanais têm a desvantagem de que os pequenos furos dos emissores entopem facilmente com sujeiras presentes na água. É preciso que o agricultor percorra a área diariamente para verificar se há algum emissor entupido. A maioria não faz isso adequadamente, pois não quer perder muito tempo na irrigação".


O preferido:

  • Um dos sistemas mais bem aceitos, utilizado em mais da metade dos assentamentos, é o chamado bubbler, desenvolvido no Estado da Califórnia, EUA. 
  • Sua principal vantagem é não necessitar de pressão, como os outros - que os assentados apelidaram de ‘chuvinha' [microaspersão] e o ‘pinga-pinga' [gotejamento].  Sua concepção original apresenta uma técnica hidráulica complexa e por isso, adaptações foram feitas em conjunto com os agricultores para funcionar bem no modelo de assentamentos da Bahia. 
O bubbler consiste em um tubo ou uma mangueira um pouco mais grossa e dessa mangueira saem mangueiras finas e a água cai no pé da planta. Pela ideia original, tínhamos de pendurar as mangueiras em estacas em determinada posição para que funcionassem direito. Só que os produtores acabavam derrubando as estacas. Eles mesmos adaptaram o sistema e nós ajudamos. Há uma mangueira principal e as mangueiras laterais. Eles vão abrindo as de cima, fechando as de baixo, assim a água é distribuída na parte inicial. Abrem depois a seguinte e fecham as demais. E assim até o fim da mangueira.



Os projetos:

  • Os projetos, dois com recursos da Embrapa, um com financiamento da Fapesb e outro custeado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), já finalizaram e contaram também com a parceria de técnicos da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). Há ainda um projeto da Fapesb em andamento. 
  • A estrutura de irrigação dos assentamentos foi adquirida e implantada pelos projetos. Os últimos investimentos foram feitos com recursos do Prêmio Mandacaru II: a instalação de quatro unidades demonstrativas em assentamentos de Barra (São Francisco, Sítio Novo, Pau D'Arco e Piri-Piri), de duas unidades de captação de água da chuva no assentamento Caxá, em Marcionílio Souza, além de adequações em sistemas já instalados nos assentamentos Santo Expedito, Antonio Conselheiro e Angico (Barra). 
  • Somam-se a isso a aplicação de planejamento estratégico participativo para agricultores dos assentamentos de Barra e as diversas ações de capacitação, por meio de cursos, dias de campo e palestras.

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