28 de mar de 2016

Empresa suíça quer implantar fazendas urbanas nos prédios de São Paulo

Gostei tanto, mas tanto, da notícia que vi na matéria de Sirlene Silva, que republico abaixo:


São Paulo, a maior metrópole do Brasil, abriga 12% da população do país. Nessa cidade extremamente polulosa e urbanizada, fica difícil imaginar espaços para o cultivo de produtos. Que tal, então, usar os topos dos edifícios para fazer fazendas urbanas? Essa é a ideia da empresa suíça Urban Farmers, que já tem experiências no segmento em cidades como a Basileia, na Suíça, Haia, na Holanda, e Berlim, na Alemanha, onde possui um Urban Farmers box. De acordo com os representantes da Urban Farmers no Brasil, o cultivo é muito simples: dentro de uma estufa, em uma área de, no mínimo, dois mil metros quadrados, ervas, legumes, peixes e frutas poderão ser cultivados pelo sistema de aquaponia.

O modelo cultivo que a empresa suíça fez nascer na Basiléia é igual ao que já é praticado em empresas da Europa, Ásia e Estados Unidos, com a mesma tecnologia adotada de produção em larga escala, com a diferença de que as hortas nesses outros locais são mais simples e não possuem o sistema inovador de aquaponia. Essa grande produção gera anualmente 5 toneladas de vegetais e 850 kg de peixes em uma fazenda de 250 m2 na Basiléia. No final de 2012, a relações públicas Talita Campoi Marinho, de 29 anos, e seu marido, o engenheiro químico Daniel Pacheco, de 38 anos, assistiram a uma reportagem no programa Cidade e Soluções, da Globo News, que falava sobre uma horta que fica no restaurante River Park, em Nova York. O casal se interessou e decidiu conhecer o projeto pessoalmente. Nos Estados Unidos, eles descobriram que inúmeras empresas e pessoas estavam difundindo esse movimento ao redor do mundo. “Sempre tivemos vontade de empreender em projetos ligados a inovação e sustentabilidade. E quando identificamos a oportunidade, nos aprofundamos no tema”, conta Talita.

Talita Campoi Marinho e seu marido, o engenheiro químico Daniel Pacheco (Foto: Silene Silva/Ed. Globo)

Depois de Nova York, eles foram a Londres, onde conheceram o The Crystal, um espaço futurístico que projeta para 2050 um modelo de cidades sustentáveis. De lá, foram à Basiléia, onde conheceram a equipe e a operação da Urban Farmers. Hoje, o casal se concentra nas buscas pelos locais perfeitos para a implantação e já tem uma lista de possíveis terraços.

Para a escolha do local, é preciso seguir alguns critérios. Além de uma área livre de, no mínimo, 2000 m² é essencial que os topos dos prédios tenham uma boa exposição ao sol, de acordo com o casal. Também é ideal que existam empresas consumidoras (supermercados, varejos, restaurantes) no entorno, em um raio de 10 km de distância. Daniel revela alguns dos 20 locais estudados na capital, como o shopping Cidade São Paulo, localizado na avenida Paulista, o Shopping Eldorado, na marginal do Rio Pinheiros, e dois extensos terrenos localizados nos bairros do Tatuapé e Barra Funda. Todos ainda em fase de análise para a implantação.

Além dos prédios, o projeto da Urban Farmers também quer implantar a aquaponia em terrenos. Em janeiro, o casal se reuniu com o prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad (PT), para discutir justamente os espaços que podem ser disponibilizados pelo poder público, em parceria, para as implantações. De acordo com Haddad, o novo Plano Diretor traz a revisão das áreas rurais para estimular a agricultura familiar e criar um corredor de proteção das áreas verdes, especialmente na Zona Sul do município. Segundo o prefeito, a cidade tem 30% de seu território dedicado à produção agrícola. De acordo com Fernando Haddad, esses projetos e programas como o de alimentação escolar, com pelo menos 25% de seus produtos derivados da produção familiar, “recuperam o senso de comunidade e de preservação, além de ampliar o horizonte para o desenvolvimento sustentável”.

Para tornar o projeto da Urban Farmers viável economicamente, a empresa espera atingir grandes redesvarejistas, restaurantes e revendedores de alimentos saudáveis. Mas, segundo Talita, apesar de o objetivo principal do negócio ser a parceria com empresas que fornecerão o espaço em troca do aluguel ou participação na empresa – dependendo do formato de negociação - a Urban Farmers também pensa em atingir o consumidor final com a criação de feiras regulares que demonstrem a importância das fazendas do futuro. “A Urban Farmers está muito ligada à educação e atingirá o público no geral, desde as crianças até aos idosos”, afirma Talita, de olho nos programas de alimentação escolar.

Para Daniel, o motivo principal de trazer para a capital paulista o projeto da Urban Farmers é suprir a necessidade e ademanda por alimentos saudáveis em larga escala. Além disso, há o desafio de produzir alimentos em uma cidade com características essencialmente urbanas. “A principal vantagem vem da logística, que vai permitir que o alimento seja consumido onde ele é produzido”, explica o engenheiro.
Alimento saudável com economia e sem agrotóxico

Segundo os membros da Urban Farmers, esse tipo de cultivo urbano pode economizar até 90% de água, em relação à agricultura convencional, além de eliminar totalmente a liberação de efluentes no meio ambiente porque o seu sistema é fechado. A aquaponia pode ser tanto de produção em escala industrial como doméstica. Por se tratar de um ciclo fechado, a produção não encontra a necessidade de adicionar qualquer agrotóxico ou antibiótico. Para Roman Gaus, fundador e presidente da Urban Farmers, que esteve no Brasil em agosto do ano passado, a empresa tem a intenção de reduzir em 80% o desperdício da cadeia produtiva. Segundo ele, na natureza tudo pode ser reciclado. "Vamos 'perturbar' o sistema e incumbir o fazendeiro! Ter preços mais justos, gastar menos em distribuição e gerar menos gastos com as fazendas urbanas", finalizou Gaus.

Ainda que não revele os valores, Talita diz que o investimento inicial deve ser alto, mas a expectativa da empresa é promissora. A começar por São Paulo, a intenção é investir em espaços para a expansão dos negócios para outras cidades brasileiras e da América Latina. Na capital paulista, a estimativa é de que até o final do ano a primeira unidade de produção esteja concluída. A operação deve começar em 2017.
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